A indústria de videogames na Ásia sempre teve um peso enorme no mercado mundial, principalmente por causa do Japão. Durante décadas, quando falávamos sobre os grandes centros de desenvolvimento de jogos, o eixo era formado principalmente por Japão, Estados Unidos e alguns países europeus.
Isso, porém, está mudando. O crescimento econômico da China, a expansão da indústria sul-coreana e a popularização global da cultura coreana estão criando novos polos capazes de produzir jogos para o mercado internacional. Ao mesmo tempo, países como a Índia começam a desenvolver seus próprios ecossistemas.
O Japão abriu caminho para a Ásia
É importante lembrar que a Ásia não está chegando agora à indústria de games. O Japão ajudou a construir boa parte da história dos videogames modernos com empresas como Nintendo, Sony, Sega, Capcom, Square Enix e Bandai Namco.
Franquias como Super Mario, Pokémon, The Legend of Zelda, Final Fantasy e Resident Evil transformaram o país em uma das maiores referências criativas do setor. A grande mudança atual é que esse protagonismo asiático começa a deixar de estar tão concentrado no Japão.
China e Coreia do Sul estão ampliando esse mercado
A China é um dos exemplos mais claros. Jogos como Genshin Impact e Black Myth: Wukong mostraram que estúdios chineses conseguem criar grandes produções capazes de alcançar jogadores em todo o mundo. No primeiro semestre de 2026, jogos desenvolvidos na China geraram US$ 12,37 bilhões em receita no exterior, crescimento de 30,2% em relação ao mesmo período anterior.
A Coreia do Sul segue um caminho semelhante. Apesar de possuir uma indústria tradicionalmente forte em PC, mobile e MMORPGs, seus estúdios passaram a investir cada vez mais em grandes produções para consoles. Stellar Blade, Lies of P e Crimson Desert são alguns dos exemplos desse movimento.
Durante a Gamescom 2026, Dong-ki Lee, diretor técnico da Shift Up, falou justamente sobre essa transformação e o impacto de Stellar Blade e Lies of P sobre outros desenvolvedores coreanos:
“Jogos como o nosso, e também Lies of P, surgiram na Coreia, e isso realmente fez com que os desenvolvedores coreanos se sentissem mais motivados a aceitar o desafio de desenvolver jogos para consoles.”
A declaração mostra que o sucesso de alguns títulos pode ter um efeito maior sobre toda a indústria: quando um estúdio demonstra que existe público internacional para uma produção coreana de grande escala, outros desenvolvedores passam a enxergar esse mercado como uma possibilidade real.
O State of Play Japan mostrou essa transformação
O State of Play Japan, realizado em 3 de setembro de 2026, ofereceu um retrato interessante dessa nova realidade. Além das grandes produções japonesas, a apresentação destacou projetos de outros países asiáticos.
Entre eles estavam Crimson Desert, da sul-coreana Pearl Abyss, Daba: Land of Water Scar, do estúdio chinês Dark Star Games, e WPCA: World Phasebound Control Authority, desenvolvido pela coreana 5minlab.
A presença desses títulos no mesmo evento é significativa. O mercado internacional já não olha apenas para o Japão quando procura grandes produções asiáticas.
Índia pode ser um dos próximos grandes polos
Essa expansão também começa a alcançar outros países. A Índia possui mais de 500 milhões de jogadores e vem estruturando uma indústria própria, apoiada por uma enorme população, crescimento tecnológico e uma comunidade cada vez maior de desenvolvedores.
O país ainda representa uma pequena parcela da receita mundial de games, mas justamente essa diferença demonstra seu enorme potencial de crescimento.
Uma oportunidade para jogadores e desenvolvedores
O crescimento desses novos polos pode ser positivo para toda a indústria. Para os jogadores, significa mais diversidade de experiências, estilos e referências culturais. Para os desenvolvedores, significa o surgimento de novas empresas, projetos e oportunidades profissionais fora dos tradicionais centros de produção.
E a escala desse mercado ajuda a explicar essa disputa. O mercado global de games movimentou cerca de US$ 201,6 bilhões em 2025, enquanto a bilheteria mundial de cinema ficou em aproximadamente US$ 32,8 bilhões. Embora sejam métricas diferentes, a comparação demonstra a enorme dimensão econômica alcançada pelos videogames.
O futuro dos games pode ser cada vez mais asiático
A Ásia sempre foi uma das maiores forças dos videogames. A novidade é que esse poder está se tornando mais distribuído. Japão, China, Coreia do Sul, Índia e outros países estão ampliando sua participação em uma indústria cada vez mais global.
O State of Play Japan é apenas mais um reflexo dessa transformação. O crescimento de novos estúdios significa mais concorrência, mais diversidade para os jogadores e, principalmente, novas oportunidades para profissionais que desejam trabalhar na indústria de games.
O próximo grande polo dos videogames pode não estar apenas no Japão, Estados Unidos ou Europa. Ele pode estar em algum dos novos centros que estão surgindo pela Ásia.
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