Introdução
Fala, pessoal! Hoje vamos comparar a última temporada de Stranger Things com a estreia da série IT: Welcome to Derry e analisar qual das duas entregou a melhor temporada no último ano. Essa comparação é especialmente interessante porque coloca frente a frente duas situações narrativas opostas: enquanto Stranger Things estava em seu arco final, carregando anos de expectativas e pontas soltas, Welcome to Derry tinha a vantagem (e o risco) de estar começando do zero, apresentando personagens, mistérios e ameaças inéditas.
Ao longo deste comparativo, vamos analisar roteiro, vilões, impacto narrativo, coragem criativa e peso dramático, sempre considerando o contexto de cada produção.
Conveniências de roteiro: um problema em comum
Um ponto curioso é que ambas as séries compartilham clichês clássicos do terror e da fantasia, especialmente quando o assunto é a eficácia real de seus vilões.
Em Stranger Things, o Vecna é apresentado como uma ameaça devastadora, mas sofre com conveniências narrativas evidentes. Conexões mentais que causavam dor intensa simplesmente deixam de funcionar em momentos-chave. No embate final, por exemplo, Will deixa de sofrer os danos psíquicos ligados à criatura de forma conveniente demais para o andamento do roteiro.
Já em IT: Welcome to Derry, o problema é semelhante, mas se manifesta de outra forma. Pennywise, em certos momentos, parece agir em "câmera lenta narrativa": fala demais, intimida em excesso e adia o ataque quando poderia simplesmente finalizar seus oponentes. É o clássico vilão que ameaça ser absolutamente letal, mas hesita quando o roteiro exige sobreviventes.
Conclusão desse ponto: os dois títulos tropeçam em clichês conhecidos, e aqui temos um empate técnico.
Aparência e presença do vilão
Visualmente, o Vecna possui um design impactante, grotesco e intimidador. Sua aparência comunica perigo e sofrimento, especialmente nas primeiras aparições.
No entanto, quando falamos de presença em cena, IT: Welcome to Derry leva vantagem. Pennywise é mais imponente ao longo da temporada, dominando o clima psicológico e o terror atmosférico.
Um exemplo claro é a cena do cinema no primeiro episódio, que estabelece imediatamente o tom da série: desconforto, imprevisibilidade e ameaça constante. Pennywise não precisa aparecer o tempo todo para ser sentido — sua presença paira sobre a narrativa.
Vantagem clara para IT: Welcome to Derry nesse quesito.
Coragem narrativa e sacrifício de personagens
Aqui está um dos pontos mais decisivos da comparação.
IT: Welcome to Derry demonstra mais coragem narrativa, mesmo sendo uma série em sua estreia. A produção não hesita em sacrificar personagens relevantes, alguns deles apresentados e desenvolvidos pouco antes de seus desfechos. Esses personagens funcionam como catalisadores emocionais e narrativos, reforçando a sensação de perigo real.
Já Stranger Things, mesmo em seu arco final, opta por uma abordagem mais conservadora. As perdas se concentram em:
Soldados sem relevância emocional
Personagens secundários com pouco ou nenhum apego do público
A irmã da Eleven, cuja conexão com a narrativa principal sempre foi frágil
Para uma série que caminha para o encerramento, a ausência de sacrifícios realmente impactantes enfraquece o peso dramático da conclusão.
Mais um ponto para IT: Welcome to Derry.
O peso de finalizar uma série vs começar uma nova
É fundamental destacar um ponto que muitas comparações ignoram:
Séries em fase de encerramento enfrentam um desafio muito maior.
Stranger Things precisava:
Superar anos de expectativas
Concluir múltiplos arcos narrativos
Responder mistérios antigos
Entregar um final emocionalmente satisfatório
Já IT: Welcome to Derry tinha mais liberdade criativa:
Podia introduzir novos mistérios
Construir tensão sem obrigação de resolver tudo
Errar com menos impacto imediato
Mesmo considerando essa desvantagem estrutural, é difícil ignorar que Stranger Things jogou demasiadamente seguro em seu momento mais decisivo.
E se comparássemos a primeira temporada de Stranger Things?
Aqui vale uma observação importante para uma análise justa.
Se a comparação fosse entre IT: Welcome to Derry e a primeira temporada de Stranger Things, o resultado seria diferente. A estreia de Stranger Things foi:
Mais inovadora
Mais coesa
Mais corajosa emocionalmente
Extremamente eficiente em construir personagens e mistério
Nesse cenário, Stranger Things sairia vencedora sem grandes dificuldades.
Por isso, a comparação mais justa só poderá ser feita quando ambas as séries estiverem completas.
Conclusão
No recorte do último ano, considerando:
Impacto narrativo
Presença do vilão
Coragem criativa
Uso dramático dos personagens
IT: Welcome to Derry entrega uma temporada mais eficiente e ousada do que a última fase de Stranger Things.
Isso não apaga a importância histórica de Stranger Things nem seu impacto cultural, mas evidencia como começar bem, às vezes, é mais fácil do que terminar à altura.
Quando Welcome to Derry concluir sua trajetória, aí sim teremos material para uma comparação definitiva entre obras completas.
E você, qual série te marcou mais nesse último ano?

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