Em muitos animes de ação, existe uma expectativa bastante clara: o protagonista deve ser o personagem responsável pelas maiores batalhas e pelos momentos mais inesquecíveis da história. Mas nem sempre é isso que acontece.
Algumas das lutas de anime mais memoráveis foram protagonizadas justamente por personagens que estavam fora do centro da narrativa. Em determinados momentos, eles receberam uma animação melhor, uma coreografia mais criativa, uma carga emocional maior ou simplesmente uma oportunidade de mostrar por que eram tão importantes para aquele universo.
E isso cria uma situação curiosa: por alguns minutos, o personagem secundário deixa de parecer um coadjuvante e simplesmente rouba o protagonismo da obra.
De Naruto a Dragon Ball Z, passando por Attack on Titan, My Hero Academia e Demon Slayer, estas são cinco batalhas que mostram como isso pode acontecer.
5. Rock Lee vs. Gaara — Naruto
Poucas lutas representam tão bem a ideia de um personagem secundário roubando o protagonismo quanto Rock Lee vs. Gaara. Durante os Exames Chunin, Lee enfrenta um dos adversários mais perigosos do torneio usando praticamente apenas seu taijutsu. Quando seus ataques não conseguem atravessar a defesa de areia de Gaara, ele remove os pesos que carregava nas pernas e revela uma velocidade muito superior à esperada.
A luta então escala rapidamente. Lee utiliza técnicas como a Lótus Primária e, posteriormente, a Lótus Oculta, enquanto Gaara revela sua Armadura de Areia. O combate também mostra até onde Lee está disposto a ir para provar que alguém sem ninjutsu ou genjutsu ainda pode se tornar um grande ninja.
O resultado é uma batalha que combina ação, emoção e desenvolvimento de personagem de maneira extremamente eficiente. A luta ocupa os episódios 48 a 50 de Naruto e se tornou uma das sequências mais lembradas da primeira fase do anime. O próprio site oficial de Naruto descreve o confronto como o embate entre o especialista em taijutsu Lee e Gaara, destacando o momento em que a defesa de areia começa a ceder.
4. Levi vs. Titã Bestial — Attack on Titan
Se existe um personagem secundário que frequentemente parece estar em outro nível quando entra em combate, esse personagem é Levi Ackerman. E seu confronto contra o Titã Bestial é provavelmente o maior exemplo disso.
Durante a batalha pela retomada de Shiganshina, Zeke utiliza o Titã Bestial para transformar pedras em verdadeiros projéteis e massacrar grande parte das forças da Tropa de Exploração. A situação parece praticamente impossível de reverter até que Levi consegue chegar perto do inimigo.
O que acontece depois é uma demonstração brutal da habilidade do personagem. Utilizando o Equipamento de Manobra Tridimensional, Levi se movimenta em uma velocidade absurda, destrói as defesas do Titã Bestial e deixa Zeke completamente indefeso em questão de segundos. O confronto é parte de um dos grandes momentos da missão de retomada da Muralha Maria.
O mais impressionante é o contraste. Zeke havia acabado de dizimar praticamente todo um grupo de soldados, mas quando Levi finalmente aparece, a sensação de ameaça simplesmente muda de lado.
É uma luta curta, mas justamente por isso funciona tão bem: Levi não precisa de um longo confronto para demonstrar por que é considerado um dos combatentes mais perigosos de Attack on Titan.
3. All Might vs. All For One — My Hero Academia
Existem personagens secundários que possuem uma luta melhor que o protagonista. E existem personagens secundários que possuem uma luta que praticamente define toda a identidade de uma obra.
É difícil falar de My Hero Academia sem mencionar All Might vs. All For One. Embora Izuku Midoriya seja o protagonista, é All Might quem ocupa o centro do confronto contra seu maior inimigo.
A batalha acontece quando All Might já não possui mais a mesma força de seus tempos de auge. Mesmo assim, ele precisa enfrentar All For One diante dos olhos do público. O combate não é apenas uma disputa de força: representa o confronto entre o antigo Símbolo da Paz e o vilão que marcou sua trajetória.
Quando All Might parece estar no limite, ele transforma o pouco poder que ainda possui em seu ataque final e desfere o United States of Smash. A vitória encerra uma era e passa oficialmente o peso do futuro para uma nova geração. O episódio 49 adapta justamente esse confronto, com a própria Crunchyroll destacando a batalha entre All Might e seu pior pesadelo.
Por isso, mesmo que Midoriya seja o protagonista, é perfeitamente possível argumentar que All Might vs. All For One é o ápice emocional de My Hero Academia. A luta não precisava apenas mostrar quem era mais forte. Ela precisava mostrar o fim de um símbolo.
2. Tengen Uzui vs. Gyutaro — Demon Slayer
Quando Demon Slayer decide colocar um Hashira no centro de uma batalha, a série normalmente transforma o confronto em um espetáculo visual. Mas Tengen Uzui vs. Gyutaro foi além disso.
Durante o arco do Distrito do Entretenimento, Tanjiro, Zenitsu e Inosuke precisam lutar ao lado de Tengen contra Daki e Gyutaro, os dois irmãos que ocupam conjuntamente a posição de Lua Superior Seis. O confronto rapidamente se transforma em uma luta de sobrevivência.
Tengen enfrenta Gyutaro mesmo depois de ser envenenado e sofrer ferimentos gravíssimos. Em determinado momento, ele perde uma das mãos e um olho, mas continua lutando para criar uma abertura para Tanjiro e os demais. A técnica da Partitura Musical também permite que Tengen analise os padrões de ataque de seu adversário.
E então entra o fator que transformou essa luta em um dos grandes cartões de visita da animação de Demon Slayer: a adaptação do estúdio ufotable. Explosões, movimentação em alta velocidade, efeitos de partículas, destruição do cenário e uma coreografia extremamente dinâmica fazem o confronto parecer uma sequência cinematográfica. A própria imprensa especializada destacou o episódio como uma das maiores demonstrações visuais da série.
Tanjiro continua sendo o protagonista, mas durante boa parte desse confronto é Tengen quem parece carregar o peso da batalha. Seu estilo de combate, sua personalidade extravagante e sua resistência transformam o Hashira do Som no verdadeiro centro do espetáculo.
1. Gohan vs. Cell — Dragon Ball Z
Talvez nenhum outro exemplo desta lista seja tão curioso quanto Gohan vs. Cell. Afinal, estamos falando de Dragon Ball Z, uma franquia construída em torno de Goku, mas cuja batalha mais importante da Saga Cell não é vencida pelo protagonista.
Goku enfrenta Cell primeiro, mas percebe que seu filho possui um potencial ainda maior. Quando Gohan finalmente entra em combate, Cell tenta provocar sua raiva criando os Cell Juniors e atacando seus amigos. A morte de Android 16 finalmente quebra o bloqueio emocional do garoto.
Então acontece uma das transformações mais famosas da história dos animes: Gohan alcança o Super Saiyajin 2.
A transformação muda completamente o equilíbrio da batalha. Gohan derrota os Cell Juniors, domina Cell durante boa parte do confronto e posteriormente precisa enfrentar uma versão ainda mais poderosa do vilão. O clímax termina com o Kamehameha Pai e Filho, que destrói Cell definitivamente. O site oficial de Dragon Ball destaca justamente a transformação de Gohan em Super Saiyajin 2 durante os Cell Games e seu confronto final contra Cell.
É também um daqueles momentos em que a transformação não parece existir apenas para aumentar o poder do personagem. Ela representa anos de treinamento, o potencial de Gohan e a passagem simbólica do protagonismo de Goku para seu filho.
Por isso, Gohan vs. Cell continua sendo lembrada como uma das lutas mais icônicas de Dragon Ball Z — e a transformação em Super Saiyajin 2 permanece como um dos momentos visuais mais marcantes da história dos animes.
Quando os personagens secundários roubam o protagonismo
O mais interessante nessas cinco lutas é que nenhuma delas precisa diminuir seus protagonistas para funcionar. Naruto, Eren, Midoriya, Goku e Tanjiro continuam sendo fundamentais para suas respectivas histórias.
O que acontece é diferente: durante alguns minutos, a narrativa permite que outro personagem assuma completamente o controle da tela.
Rock Lee transforma sua luta contra Gaara em uma demonstração de determinação. Levi transforma uma situação desesperadora em uma execução praticamente perfeita. All Might encerra sua era como símbolo da paz. Gohan alcança uma transformação que muda o rumo de Dragon Ball Z. E Tengen Uzui transforma uma batalha contra uma Lua Superior em um dos maiores espetáculos visuais de Demon Slayer.
Talvez essa seja justamente uma das maiores forças dos bons animes de ação: o protagonista não precisa estar no centro de todos os grandes momentos. Quando uma obra consegue fazer o público se importar com seus personagens secundários, qualquer um deles pode assumir o protagonismo quando chega a hora certa.
E agora fica a pergunta: qual outro personagem secundário teve uma luta tão boa que fez você esquecer, por alguns minutos, quem era o verdadeiro protagonista?
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